O criacionismo científico e o registro fóssil
O registro fóssil e seu padrão de deposição é uma das principais evidências de que a evolução realmente aconteceu. Ao longo de diferentes camadas geológicas é possível observar a ordem na qual os animais foram aparecendo e se extinguindo em nosso planeta. Entretanto os criacionistas tentam explicar o padrão do registro fóssil através diferenças na deposição dos animais após o dilúvio, onde os animais não salvos por Noé teriam perecido. Nesse texto tentaremos ver a profundidade e a validade desse argumento dentre outros fornecidos pelos criacionistas científicos.
Segundo os criacionistas, sejam eles científicos ou não, o processo de criação de novas espécies nunca ocorre, já que todas foram criadas por Deus durante os sete dias da criação. Se considerarmos tal argumento como verdade esperaríamos encontrar, no registro fóssil, evidências de todos os animais em todas as camadas geológicas, afinal eles têm coexistido juntos desde os tempos mais remotos de nosso planeta. Há centenas de dinossauros fósseis e, entretanto, nenhum foi encontrado junto a um fóssil humano ou de alguma ave. Além disso, dois dos mais comuns fósseis encontrados são os trilobitas e os peixes ósseos, sendo que ambos viveram nos oceanos. Se os criacionistas estivessem corretos seria de se esperar que encontrássemos, pelo menos alguma vez, fósseis dessas duas formas de vida juntos. Entretanto não é o que ocorre, os trilobitas parecem ter perecido cerca de cem mil anos antes do primeiro peixe ósseo ser encontrado no registro fóssil. De forma ainda mais drástica, o último dinossauro fóssil aparece na camada correspondente a 60 milhões de anos, enquanto o primeiro humano aparece, pela primeira vez, na camada próxima a 5 milhões de anos. Dinossauros e humanos parecem ter se encontrado apenas recentemente, nos filmes de Spielberg.
Bem, a pergunta que então nos vem à mente é: De que forma então os criacionistas explicam o registro fóssil? Primeiramente é bom lembrar que os criacionistas assumem que todos os organismos foram criados juntos há cerca de seis mil anos atrás. Assim, continuaram sua existência até que o grande dilúvio matou todos aqueles que não estavam na arca de Noé. De acordo com essa versão, os corpos resultantes do dilúvio foram depositados de acordo com sua densidade e a capacidade de seus corpos de serem levantados pela água. Assim os corpos mais densos e fracos teriam sido depositados primeiramente, enquanto os mais leves e resistentes ficariam por último.
Entretanto tal hipótese, encontrada no livro “The Gênesis Flood” não é corroborada por nenhum dado experimental. Cientistas que foram tentar comprovar tal hipótese, apenas encontraram mais evidências da evolução. E mesmo alguns naturalistas protestantes, como Cuvier, já teriam abandonado essa idéia mais de um século atrás. Como apontou o paleontologista Kenneth Miller, apenas observando o registro fóssil dos mamíferos já é possível mostrar como essa teoria é inconsistente. Dentro dessa classe de animais pode-se observar várias espécies que variam enormemente em suas propriedades hidrodinâmicas, nichos ecológicos, mobilidade e força. Apesar disso, tanto as baleias oceânicas, macacos que trepam em árvores, ratos campestres e morcegos voadores aparecem tarde no registro fóssil. E, além disso, eles começaram a aparecem em épocas parecidas e apenas após o aparecimento dos répteis com características de mamíferos, e não antes.
Além disso, uma criação simultânea de todos os organismos vivos exige que o registro fóssil apresente, de uma hora para outra, uma explosão repentina de vida. E é isso que os criacionistas dizem que aconteceu. Segundo eles nenhum fóssil multicelular teria sido encontrado em rochas do pré-cambriano e apenas no período cambriano é que os animais começariam a ser encontrados. Entretanto esse argumento é falso, já foram encontrados, na camada de rochas pré-cambriana, fósseis de algas cianofíceas, jellyfishes, celenterados e até mesmo formas de transição entre anelídeos e artrópodos. Esses fósseis são realmente mais difíceis de serem encontrados, principalmente devido à fragilidade e dificuldade de preservação dos corpos de invertebrados.
Até 1987 os criacionistas gostavam de contar histórias sobre o leito do rio Palury, nos Estados Unidos, onde teriam sido encontradas pegadas humanas ao lado de pegadas de dinossauros. Foram escritos capítulos, livros e até “documentários” sobre essa evidência fascinante. Como os criacionistas enfatizavam bastante esse fato, um grupo de cientistas resolveu estuda-lo minuciosamente. Eles encontraram um tesouro perdido da história social humana. Durante a depressão americana, alguns dos habitantes locais faziam dinheiro ao cavar pegadas na rocha e vende-las. Eventualmente, alguns criacionistas, como o autor do livro sobre registros fósseis, anunciaram que as provas de Palury eram realmente farsas. Entretanto esse exemplo ainda permanece em muitos livros criacionistas como evidencia de que homens e dinossauros viveram juntos.
Sendo que os criacionistas científicos não apresentam qualquer explicação realmente científica para sua origem das espécies, eles gastam boa parte de seu tempo criticando a existência do registro fóssil. Um de seus principais argumentos seria o de que não é possível observar a presença das espécies intermediárias entre os filos conhecidos, o que seria esperado se a evolução realmente ocorresse. O que eles argumentam é que não há intermediários entre répteis e mamíferos ou entre peixes e anfíbios. Entretanto eles estão errados. Na verdade existem pelo menos cerca de dez formas transitórias bem definidas entre um réptil óbvio e um mamífero óbvio. Em meio a elas é apenas uma questão de preferência se as chamamos de répteis ou mamíferos. Outra forma de transição, o Ichtheostega, parece ser um peixe que modificou suas nadadeiras e sua musculatura para poder se locomover na terra. Análises de fósseis de Ichtheostega mostraram que ele apresenta uma cauda bastante similar à cauda dos peixes, assim como a disposição de suas vértebras. Sua cintura pélvica e peitoral, entretanto, parece ter sido modificada para produzir um ombro e pelve similar às dos anfíbios que seria capaz de permitir a movimentação em terra. Outras formas de transição já foram também bem-documentadas, o Seymouria, o primeiro animal com características reptilianas em seu crânio e membros ainda possui mandíbula e características vertebrais típicas de anfíbios. O pássaro mais antigo conhecido, Archeopterix, é bem conhecido, possuído dois fósseis bastante bem preservados. Ele teria sido provavelmente classificado com réptil se não fossem encontradas marcas bem definidas de suas grandes penas.
Em resumo, os criacionistas não têm evidências de que a vida foi criada durante uma única semana de criação. A evidência fóssil está decididamente contra isso. Nenhum criacionista é capaz de explicar como os fósseis se formaram e se agruparam em camadas de uma forma que imite a historia evolutiva tão bem. Eles ainda não têm qualquer alternativa científica para explicar a formação do registro fóssil.
A última (e mais absurda) explicação dos criacionistas sobre o registro fóssil é a de que Deus teria então depositado os organismos nas camadas geológicas de acordo com um padrão que imita a evolução para testar a fé dos fiéis. Eles dizem que “resultados de experimentos científicos não importam, uma vez que a verdade já é conhecida”. Isso invalida completamente a palavra científico do “criacionismo científico” e o transforma em uma simples crença fundamentalista e cega de razão.


3 Comments:
Isso não é verdade:
"Segundo os criacionistas, sejam eles científicos ou não, o processo de criação de novas espécies nunca ocorre, já que todas foram criadas por Deus durante os sete dias da criação"
Veja:
Criacionismo e Ambientalismo
http://www.portaleducacao.com.br/forum/forum_posts.asp?tid=517&sid=az3c11c76a3daf16dade9fbz8232bzz1
A origem da vida, da qual dispõe a teoria evolucionista, não pode ser considerado ciência, pois não pode ser submetida a observação ou experimentação. O próprio Darwin achava sua teoria vazia e imcompleta "A mais óbvia e grave objeção que poderia ser levantada contra a minha teoria”. E termina: “Todos os mais eminentes paleontólogos... e todos os maiores geólogos... concordam, às vezes veementemente, com a imutabilidade das espécies”
Criacionistas não conseguem explicar nada em vez disso só sabem criticar o evolução...
O mais incrivel é ver como eles querem criar dados para sua teoria e não criar uma teoria para os dados. É por isso que a evolução continua sendo o mecanismo mais elegante para explicar a origem das especies.
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